Trabalhismo tem respostas para resistir ao retrocesso, diz Ciro Gomes

          Líder pedetista defende candidatura de Dagoberto e vê o PDT como melhor alternativa à crise

                O vice-presidente nacional do PDT e ex-candidato à Presidência da Republica, Ciro Gomes, afirmou que para o Brasil enfrentar e superar o retrocesso instalado no poder é necessário incentivar a sociedade a tomar consciência sobre as origens e consequências da crise. Segundo ele, os modelos de governo e de conceito político encarnados pelas forças partidárias como o PT e o PSDB esta exauridos e o trabalhismo apresenta-se como a melhor alternativa para a transformação reclamada pelo País.

               Ciro Gomes fez palestras e dialogou com universitários e representantes de diversos segmentos sociais em Campo Grande. Disse que o PDT está pronto para operar um profundo processo de transformações já a partir das próximas eleições e que adoraria voltar a Campo Grande para distribuir panfletos e fazer a campanha do deputado federal Dagoberto Nogueira a prefeito. Na Associação dos Notários e Registradores (Anoreg) ele discorreu sobre o cenário político e institucional, dizendo que o Brasil vive a pior crise social, econômica e política da sua história.

“A historia brasileira não e pacífica. Há toda uma mistificação de que o Brasil é cordial. Isso não é verdade. Nossa história é de violência política, de autoritarismo. E hoje só estamos vivendo a lamentável tradição da elite brasileira”, enfatizou, citando como exemplo que apenas três presidentes escaparam a ações golpistas e conseguiram concluir seus mandatos: Fernando Henrique Cardoso, Juscelino Kubistchek e Lula.

DICOTOMIA – Ao abordar circunstâncias locais e mundiais que resultaram nas conjunturas de recessão e desigualdades, Ciro responsabilizou a dicotomia esquerda-direita. “ O velho movimento de esquerda desmoralizou-se após a queda do Muro de Berlim. Aí veio a ideia de que a história tinha acabado, porque na confrontação socialista x capitalismo este venceu e cabia a todos os países embarcarem na onda. Então, o neoliberalismo explodiu como ideia”. No entanto, o líder trabalhista lamentou:

“Hoje não somos mais educados para sermos cidadãos, e sim consumidores. Isto nos predispõe a ser felizes na busca ansiosa e frustrante de um padrão de consumo maravilhoso, ao qual não temos renda pra acessar. Quando adquirimos renda para atingir aquele padrão, ficamos sabendo que há outro padrão. E aí vem a eterna frustração, sentimento que explica a grande angústia da juventude”, frisou. “Ser feliz jamais será algo consumista, ser feliz é outra coisa que precisamos recuperar para a população, em especial para a juventude, desorientada ou caindo no escapismo trágico da droga ou da violência banalizada”, emendou.

Para Ciro Gomes, não é a pobreza que gera a violência. “É a justaposição da opulência, do luxo, do desperdício. Esse padrão de consumo vai matar o planeta Terra. A economia popular não terá acesso a esse padrão. O pano de fundo do debate é esse”, avaliou. A seu ver, a Constituição de 1988 trouxe boas intenções e perspectivas de justiça social e econômica que haviam sido demolidas pelo golpe militar. “Mas era uma Carta cujo teor sugeria uma vingança àquele golpe, porque o País não se estruturou para executá-la”, ressaltou.

Mencionou então um artigo da Constituição que prevê o direito do brasileiro a um salário mínimo mensal suficiente para bancar uma família de quatro pessoas no acesso à comida, vestuário, transporte, moradia, saúde e lazer. “Aí o Dieese (Departamento Intersindical de Estudos e Pesquisas Sócioeconômicas) faz o cálculo e constata que para custear isso tudo o salário tem que ser de cerca de R$ 4,6 mil mensais. E o Bolsonaro congelou o mínimo em R$ 998,00 pelos próximos dois ou três anos. Então se vê que essa Constituição, bem intencionada, parece uma espécie de vingança ao golpe de 64. O modelo se cansou e essa exaustão levou de roldão o PSDB e o PT, que tinham a mesma política econômica”.

               DESPREPARO – Sobre o governo de Jair Bolsonaro, Ciro considerou que a prática revela um presidente despreparado e irresponsável, incapaz de formular programas e de dialogar com a sociedade, além de ideologicamente comprometido com formulações retrógradas e fascistas. “Assim, não tem nenhuma condição de conduzir um País com 14 milhões desempregados, 32 milhões vivendo de bico e 63 milhões com nome sujo no SPC. Fechamos 220 mil postos de comércio e 13 mil indústrias nos últimos três anos”.

               Ciro salientou que o País não pode depender da vontade de um homem só, creditando a esse fator o principal motivo de suas diferenças com o PT. “Esta é minha grande briga com o Lula e o pessoal do PT a vida toda. É tudo em cima de uma pessoa, não se tem o segundo, não há outras opções. Aí o Lula governa, vai muito bem, depois sai e bota alguém que nunca disputou eleição, sem experiência, e deu no que deu”.

               Ao finalizar, fez reverência à importância de o PDT assumir seu papel histórico. “Não há ideia mais moderna que o trabalhismo. Afirmo isso como estudioso e não por simpatia e amizade que tive com Leonel Brizola. Mas o trabalhismo é neste momento a ideia para o Brasil. Desde cedo, no auge da guerra fria, visionariamente o trabalhismo propunha uma economia política de respeito à propriedade privada, de prioridade à educação publica, de afirmação da democracia e da soberania”.

Deixe uma resposta